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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Paranapiacaba: Um turismo engessado

Um dia de sol. “Um dia prá passear”, como diria Vinícius. Talvez em Itapuã, com certeza não em Paranapiacaba. Senão vejamos. Praticamente o turismo responsável pelo bairro estância, que pertence a Santo André, cercou toda a área verde do lugar, ou seja, para se ter acesso a qualquer uma das cachoeiras que são parte, ou melhor, atração principal de Paranapiacaba tem-se que obrigatoriamente pagar um guia cedido pela AMA – Associação dos Monitores Ambientais de Paranapiacaba - o valor varia de acordo com a distância que se quer ir vai de R$ 12,00 à R$ 18,00 por cabeça.
Ligados ao núcleo de preservação Itutinga Pilões do Parque Estadual da Serra do Mar a AMA disponibiliza guias para caminhadas que conduzem a trilhas e cachoeira dentro dos limites da própria vila, em nosso entender a remuneração desses guias e monitores poderia ser feita pelo órgão responsável pelo turismo em Paranapiacaba sem onerar o bolso do visitante, pois o turismo do lugar é o chamado de um dia e grande parte de seus praticantes o fazem justamente pela limitação de recursos. Com uma fiscalização presente e vigilante não chegamos a observar a necessidade premente desses guias para irem à cachoeiras e trilhas que ficam próximas a localidade, não passam de 2 a 3 Km. Alguns argumentam que é para segurança do próprio visitante, pois o local tem assaltos e perigos naturais que inviabilizam um passeio em família ou com amigos sem a presença dos tais guias. Outros dizem que é para proteger a natureza local dos usos e abusos indevidos de turistas indesejáveis e mal educados, seja como for ou você paga ou gasta seus reais nos restaurantes e lanchonetes do bairro, pois essa será sua única opção depois de você rodar muito em busca de sombra e água fresca, ou melhor de sombra e cerveja gelada ou algo parecido.
Não que não valha a pena, pois a comida do lugar é boa o que não é muito agradável é a recepção que certos comerciantes e donos de pousadas que te vêem como um intruso a se intrometer em algo que pertence somente a eles, pelo menos essa é a impressão que fica depois de você saber que alguém foi praticamente expulso das dependências de uma delas depois de esperar quase uma hora para ser atendido e resolver ver o jardim da casa sem consentimento da dona da pousada, tudo isso depois dos fiscais da prefeitura lhe dizerem ser proibido acessar uma trilha que leva a uma outra queda d’água pois os perigos são imensos e alguns já morreram ou se perderam tentando tal aventura.
Mas digamos que tudo bem, você foi atendido por aquela responsável pela AMA e que, milagre, a encontrou aberta ao publico e foi solicita com você e os seus, pois bem você pagou pegou suas mochilas e junto com alguns felizes trilheiros se encaminhou para as tais cachoeiras, chegando lá você e os seus, máquinas fotográficas em punho, trocam de roupa e tocam a mergulhar nas bacias formadas pelas águas e se massagearem nas luxuriantes cascatas que brotam em meio a mata atlântica, que aliás pertence a todos e particularmente não pertence a ninguém, o conselho é ficar ligado nas horas, pois no melhor da festa os guias lhe dirão que esta na hora de irem embora, ou seja, você pagou por algumas horas de lazer que é delimitada por alguém que mora no lugar e pensa estar lhe fazendo algum tipo de favor ao te conduzir com um tempo pré-determinado para que você e outros iguais a você possam usufruir um pouco do que eles tem diariamente, que remédio, você e seu grupo ajuntam suas coisas e voltam para a vila, pelo menos lá tem comida e cerveja gelada, coisas que em sua cidade de origem é difícil de encontrar.
Para não ficar tão ruim assim você também pode ligar durante a semana para a AMA e se tiver sorte, agendar um horário para visita ao parque gratuitamente, mas não se atrase que isso é algo que não é tolerável no turismo local e muito menos divulgado em nenhum meio de comunicação.
Entendemos que a preservação dos recursos naturais é uma questão de sobrevivência da espécie humana e de muitas, ainda existentes na mata atlântica e que estão ameaçadas. No entanto entendemos também que o turismo é um meio de subsistência para algumas comunidades, municípios, vilas e estâncias que se propõem e se preparam para receberem pessoas. Para tanto o preparo técnico é condição prioritária e não ver o turista como intruso ou indesejável é a única maneira de praticar um turismo sério e que recompense com lazer e descontração àqueles que buscam por momentos únicos ao lado de familiares e amigos em lugares nos quais a população local se propôs a isso.
Qualificação no atendimento e racionalismo no que diz respeito a segurança e a preservação de recursos naturais são desejáveis e vitais para se ter um turismo aquecido e de bom nível.
Paranapiacaba esta muito longe dessa realidade. Só esperamos que a administração do setor se preocupe mais com essa estância que a tantos atraem mas que no momento é uma negação em atendimento e no trato com aqueles que em ultima analise são uma fonte de renda e sobrevivência dos que lá vivem.
De momento para quem procura por lazer próximo à São Paulo e cidades circunvizinhas, a dica é esticar um pouco mais e se banhar nas águas oceânicas de Santos e adjacências, lá o turismo é bem mais profissionalizado.


Sobre Paranapiacaba

Paranapiacaba é um distrito do município de Santo André (estado de São Paulo). Surgiu como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway - estrada de ferro que possibilitava o transporte de cargas e pessoas do interior paulista para o porto de Santos, e vice-versa.

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